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A Ponte de Trajano em Aqua Flaviae

por cascalenses, em 08.02.17

 

 
 
por João Aníbal Henriques
 
Há cerca de 1900 anos, quando as memórias dos nossos avós mais não eram do que sonhos impossíveis dos avós deles, a cidade de Aqua Flaviae, actual Chaves, era já uma das mais importantes metrópoles do Império Romano.

A sua monumentalidade, profundamente ligada ao carácter terapêutico das suas águas, deve quase tudo à decisão do Imperador Tito Flávio Vespasiano que, no ano de 79 d.C., a elevou à categoria de município, num ímpeto de construção que levou ao aproveitamento dos seus banhos, do caudal mítico do Rio Tâmega e, sobretudo, das imensas riquezas minerais que começaram a ser exploradas em todo o território flaviense. O topónimo original – Aqua Flaviae – denota exactamente essa situação, sublinhando a dependência das águas e da figura tutelar do Imperador Flaviano a quem a sua posse era naturalmente atribuída.
 
A ponte romana, comummente designada como “Ponte de Trajano”, foi construída no final do primeiro século da Era Cristã. Permitiu estabelecer uma ligação viária entre a Cidade de Bracara Augusta e a cidade actualmente espanhola de Astorga, completando assim o eixo que a partir de Roma consignava a totalidade do território do império ao poder efectivo emanado a partir da sua capital. Originalmente erguida sobre dezoito arcos, e cento e quarenta metros de comprimento, foi paga pelos cidadãos que residiam na cidade e construída com a ajuda dos legionários que faziam parte da Sétima Legião Gemina Felix.
 
 
 
 
Parte integrante da identidade municipal de Chaves e presença constante no imaginário colectivo dos Flavienses, a Ponte de Trajano é um excelente exemplo da forma como o período de dominação romana foi decisivo na construção do moderno Portugal. O investimento aqui efectuado por decisão directa de Roma e, por outro lado, a presença efectiva dos contingentes romanos no acompanhamento das muitas actividades que eram desenvolvidas na região, determinou a inserção plena deste espaço na dinâmica de crescimento e consolidação do próprio império, gerando relações de reciprocidade que acabaram por se tornar decisivas na definição dos novos parâmetros de crescimento do futuro Estado Português.
 
O dealbar da globalização, numa época recôndita na qual os meios de transporte eram ainda incipientes, acontece precisamente como consequência do investimento romano nestas monumentais obras públicas, assumindo a Ponte de Trajano um papel decisivo na recriação da amplitude europeia que Roma virá consagrar.
 
Por tudo isto, e sobretudo porque nas pedras que compõem o tabuleiro da Ponte de Trajano ainda ecoam os sons dos passos dos nossos avós, vale a pena visitar Chaves e deleitar-se com o imenso impacto que este monumento tem na própria Identidade de Portugal. 

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