Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

cascalenses

cascalenses

Abreu Nunes - 50 Anos de Saudades em Cascais

14.10.16, cascalenses

 

 
 
 
Cumprem-se por estes dias 50 anos desde o falecimento, em Cascais, do Engenheiro Augusto Jayme Telles de Abreu Nunes. Nascido no Funchal em 30 de Outubro de 1891, o Engenheiro Abreu Nunes é hoje, por infelicidade dos tempos em que vivemos, figura quase desconhecida dos Cascalenses. Mas do seu empenho na defesa de Cascais e da sua vida dedicada a esta Nossa Terra, depende quase tudo o que o município é hoje.
 
 
A intervenção cívica de Abreu Nunes começa logo depois da sua chegada a Cascais. Em 1934, quando Cascais se preparava para enfrentar os desafios enormes que foram o resultado das alterações provocadas no Mundo e na Europa pelas guerras mundiais, foi ele quem esteve à frente do processo de criação da Comissão Administrativa da futura Comissão de Propaganda de Cascais, organismo embrionário da futura Região de Turismo do Estoril.
 
 
 
 
Na senda do trabalho realizado por Fausto Cardoso de Figueiredo, mentor e principal impulsionador do primeiro projecto turístico de Portugal – o Estoril -, Abreu Nunes cria em Cascais as bases que hão-de servir para promover a região a nível internacional. Com uma visão fora do seu tempo, aliando a capacidade de concretizar à noção exacta da importância deste recanto no contexto da animosidade crescente que grassava no velho continente, foi ele quem imaginou o Estoril como espaço privilegiado para receber em imensos exílios dourados grande parte das principais figuras da aristocracia mundial, reservando para o município Cascalense a honra de se ter tornado num dos destinos turísticos de referência no contexto europeu.
 
 
 
 
À frente da Comissão de Propaganda de Cascais, foi durante muitos anos responsável pelo programa de festas na velha vila piscatória, elaborando um vasto conjunto de iniciativas que desenvolviam a região fomentando a actividade económica e promovendo-a a nível internacional. E, mais importante do que tudo o resto, organizou estes eventos sempre com um cariz de intervenção social. De facto, dos bailes de Carnaval aos concursos de montras e de flores, tudo o que acontecia na região tinha como objectivo a angariação de fundos que serviam para apoiar as grandes obras de que Cascais necessitava para apoiar os mais pobres. As escolas, os lares de idosos, o velho hospital e a Praça de Touros, são somente alguns exemplos de equipamentos de que Cascais foi dotado com verbas oriundas da animação organizada por Abreu Nunes na comissão.
 
Foi também ele quem, em 1934, esteve à frente da inédita organização do primeiro concurso hípico de Cascais, no espaço onde mais tarde se haveria de construir o Hipódromo Municipal Manuel Possolo, recriando assim uma das mais arreigadas tradições desta terra.
 
Mais tarde, em Janeiro de 1939, o Engenheiro Abreu Nunes extingue a velha comissão e dá origem à nova Sociedade Propaganda de Cascais, da qual será o primeiro presidente, entidade que promoverá a construção da Maternidade de Cascais, do Clube Naval de Cascais, do novo Hospital da Misericórdia, etc.
 
Reconhecendo a sua dedicação e a capacidade de concretização demonstrada através das várias iniciativas que desenvolveu, o Governo de Portugal convida-o para instituir e presidir à Junta de Turismo da Costa do Sol. Nesse novo cargo, Abreu Nunes foi um dos pilares da estratégia de promoção internacional da marca turística ‘Estoril’ que durante 100 anos será uma das mais pujantes e bem conseguidas operações turísticas de Portugal.
 
 
 
 
A dinâmica da Junta de Turismo, que utilizava as mais modernas técnicas de marketing daquela época, é um dos traços da posição vanguardista de Abreu Nunes no Portugal de então. Os cartazes de promoção do Estoril, impulsionadores de muito daquilo que virá a ser a propaganda oficial de Portugal, traduzem bem o projecto que ele defendia para transformar esta terra numa espécie de Côte d’Azur Portuguesa.
 
No dia 12 de Outubro de 1966, a poucos dias de celebrar o seu 75º aniversário, o Engenheiro Abreu Nunes faleceu na sua casa de Cascais, deixando um legado que mudou literalmente a face da sua terra.
 

 

Cinquenta anos depois, vale a pena relembrar este Cascalense, na certeza de que a aura de excelência que hoje acompanha Cascais muito deve à sua capacidade de visão e ao mérito da sua aposta na promoção fundamentada do seu (nosso) Estoril.