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De Asfamil por Quenena até Carcavelos: Maravilhas de um Trilho Medieval que une Oeiras e Cascais

João Aníbal Henriques, 12.03.25
 

 

por João Aníbal Henriques

Desde a antiga aldeia de Asfamil, situada a Norte do Bairro do Pomar das Velhas e de Quenena, no extremo interior do território municipal de Cascais, em plena Freguesia de São Domingos de Rana, até ao mar, vão em linha recta cerca de 8 kms…

O trilho, possivelmente de origem medieval, era diariamente calcorreado por centenas de trabalhadores que dos campos férteis situados nesse local traziam para aqueles que viviam junto ao mar as frutas, os legumes, o leite e o pão que permitiram a essas povoações crescer e afirmar-se. E quando regressavam, com os seus burros de trabalho de alforjes vazios, traziam consigo a roupa suja dos mais importantes habitantes do litoral, que lavavam nas ribeiras puras do interior, secando ao Sol das velhas eiras que por ali abundavam.

 

 

Era uma vida diferente aquela que caracterizava os actuais concelhos de Cascais e de Oeiras nesses tempos. Não existindo uma separação formal entre os territórios do litoral e do interior, nem tão pouco o obstáculo que no final dos anos 80 do Século XX resultou da construção da A5, a complementaridade económica, cultural e social entre ambas as comunidades ditava uma visão coesa e global do território, garantindo que a prosperidade chegava naturalmente a todo o lado.

Agora, numa acção de que se prevê que reúna novamente os dois municípios em torno de uma causa comum, tudo se prepara para que novamente se reaproxime o mar do interior, num esforço que terá como base a recuperação do velho trilho medieval, assente na potencialização das maravilhas ambientais e paisagísticas que o caracterizam, mas que avançará transversalmente com repercussões directas ao nível da habitação, da mobilidade sustentável, da recuperação urbanística, da cultura e da educação, anulando definitivamente a clivagem que durante as últimas décadas dividiu o território em duas partes com condições distintas e devolvendo a todos os munícipes a possibilidade de aspirarem à qualidade de vida que é um direito transversal e universal de todos os portugueses.

 

 

O velho caminho medieval que trará o mar até à zona onde antigamente tínhamos a Lixeira de Trajouce, e que é ainda hoje (infelizmente) uma das mais degradadas áreas do território municipal de Cascais, permitirá alterar radicalmente o paradigma do dia-a-dia de todos aqueles que ali habitam. A requalificação urbana do espaço onde vivem, reforçará a Identidade Municipal e terá consequências directas muito evidentes na qualidade de vida destes cascalenses.

O projecto de intervenção neste local, aspiração antiga defendida pela Fundação Cascais desde a sua fundação em 1993, conhece agora um importante avanço, com o arranque das primeiras obras de recuperação do velho trilho, definindo assim um plano global de gestão do espaço que oferece um futuro condigno a toda a região.

 

 

Daqui resultará um território coeso, cultural e socialmente saudável, numa abordagem abrangente que alavancará muitos outros projectos conjuntos unindo Cascais e Oeiras em torno desse comum desiderato de recriar as condições que permitam aos nossos filhos e aos filhos deles aspirar a viverem felizes nesta nossa terra!

 

 
 

 

 

 

 

 

 

A Quinta da Alagoa em Carcavelos (Cascais)

João Aníbal Henriques, 16.03.17

 

 
 
por João Aníbal Henriques
 
Edificada dentro do parque municipal a que dá nome, a Quinta da Alagoa situa-se muito perto do centro da povoação de Carcavelos, no extremo Nascente do concelho de Cascais. Conjugando dois estilos arquitectónicos distintos, uma parte do século XVI e um palacete de finais do século XVIII, a Quinta da Alagoa pertenceu, até 1983, aos Morgados da Alagoa, à família do Eng.º D. Vasco Belmonte. Até essa altura, mercê da grande quantidade de vinha que possuía e da mata que envolvia quase toda a propriedade, foi um dos locais importantes da freguesia de Carcavelos, uma vez que era aí, mais do que em qualquer outro lugar, que se produzia o famoso Vinho de Carcavelos, que possuía projecção internacional e que serviu de base à criação de uma zona demarcada.
 
Na primeira metade da década de oitenta do Século XX, por necessidades várias, a família de Alagoa acorda com a Câmara Municipal de Cascais a cedência de todo o espaço. No protocolo assinado nessa época, previa-se a manutenção de toda a zona rural, bem como a utilização do palacete e antigo convento como espaço cultural, ao serviço da população de Carcavelos. Ainda nesse documento, foi estipulada a adaptação de uma parte imóvel para sede dos escuteiros locais.
 
 
 
 
Dessa data até 1986, não mais se ouviu falar da Quinta da Alagoa, sendo que, dois anos após a transacção, o antigo Jornal da Costa do Sol, em artigo publicado nas suas páginas, alerta as entidades competentes para o facto de numa dessas noites ter sido completamente destruído o recheio do imóvel, juntando mesmo uma fotografia do palacete, com portas e janelas abertas mas ainda com telhado. A então Câmara Municipal de Cascais, em resposta a tão categórico artigo, responde que não possuía verbas  para proceder a uma vigilância contínua ao local, pelo que, segundo a mesma entidade, a destruição que o Jornal da Costa do Sol  mostrava nas fotografias se ficava a dever a uma noite de vandalismo dos jovens locais!
 
 
 
 
Após a urbanização da quase totalidade do espaço envolvente, a Quinta da Alagoa foi sujeita ao mais completo desprezo que se prolongou ao longo de vários anos. Em 1990, uma vez mais, o mesmo Jornal da Costa do Sol publica novas fotografias do sítio. Nesta data, para além dos problemas já anteriormente mencionados, acrescenta-se o facto de ter desaparecido por completo o telhado do imóvel.
 
Com a aproximação das eleições autárquicas o assunto caiu no esquecimento, e a esperança de uma mudança assolou o coração dos habitantes das redondezas. No entanto, para desespero de todos, e embora existissem diversos projectos para o local, nada foi concretizado, e a Quinta da Alagoa continuou ao abandono…
 
 
 
 
Em Junho de 1994, inesperadamente, o então executivo da C.M.C. anuncia publicamente a assinatura de um protocolo com a E.I.A. - Ensino, Investigação e Administração, visando a construção neste local de uma universidade. O alto patrocínio do Presidente da República, bem como a brevidade do anúncio, um dia antes da assinatura do protocolo, veio levantar alguma celeuma, uma vez que um terreno público passaria a ser explorado por particulares. Por outro lado, os trâmites legais não foram completamente respeitados, como viria a ser confirmado pela Assembleia Municipal em 01. 06. 1994, que declara a aprovação do protocolo como ilegal, baseado no facto de este órgão não ter sido consultado antes da assinatura do mesmo, como estava previsto na lei. A Associação de Moradores da Quinta da Alagoa, que representava todos aqueles que compraram as suas casas nesse local com a condição de os terrenos da velha quinta se destinarem a uso público, também não foram consultados, tendo feito um abaixo-assinado para travar o projecto.
 
Neste ano de 2017, comemoram-se 27 anos desde este triste incidente e a Quinta da Alagoa, de forma surpreendente, mantém o estado de abandono e de ruína que a devastação dessa época lhe havia granjeado.
 
 
 

 

Sendo repositório privilegiado das memórias daquela localidade, nela se centrando os testemunhos ainda vivos da exploração outrora rendosa do afamado Vinho de Carcavelos, e sendo o palácio e antigo convento peças exemplares do Património Cascalense, será aceitável o que por ali se continua a passar? 

A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios em Carcavelos

João Aníbal Henriques, 16.03.17

 

 
 
por João Aníbal Henriques
 
O orago de Nossa Senhora dos Remédios remete-nos para as memórias mais ancestrais da humanidade De facto, a Senhora que cura e cuida dos seus filhos, reminiscência simbólica das práticas de sociabilização que acompanham o nascimento do conceito de família, tem o seu apogeu nos primórdios do período Neolítico, quando os primeiros assentamentos humanos abandonam nomadismo e adoptam estilos de vida marcados pela sedentarização.
 
A Senhora dos Remédios, que o lendário Português associa directamente aos perigos e perseguições sofridas pelos primeiros Cristãos durante o descalabro que acompanhou a queda do Império Romano, é assim simultaneamente a histórica Mãe de Jesus e a figura épica da Senhora da Conceição, eixo primordial da Fé e da espiritualidade antiga naquele que é hoje o território de Portugal. A ligação estreita entre ambos os oragos, num displicente apelo à figura que centra em si a capacidade de apoiar o ser humano nesta sua aventura terrena, conjuga-se nas práticas Cristãs como repositório dos valores absolutos da bondade inequívoca e da entrega total à vontade de Deus, consubstanciado de forma completa no papel desempenhado por Nossa Senhora enquanto cadinho alquímico da transformação da divindade pura em carne e em sangue.
 
 
 
 
É, pois, o sofrimento geral que acompanha a vida humana neste recanto inóspito do fim-do-mundo romano, marcado pela angústia que resulta da dúvida sistemática em relação ao que o futuro nos reserva e à incerteza em relação à vontade de Deus, quem determina a devoção ancestral que liga a Senhora dos Remédios a Carcavelos, num pleito de harmonia profunda entre as vicissitudes próprias da antiga comunidade rural que subsistia neste local e os ventos mais recentes de um impulso regenerador e progressista que os tempos recentes vieram trazer. Remedia Nossa Senhora aqueles que são ais desafortunados…
 
A faceta saloia de Carcavelos, dependente em permanência da terra e das instáveis vontades da natureza, recria uma forma muito própria de viver a espiritualidade. Aqui, mais do que em qualquer outro local da periferia de Lisboa, sente-se no ar a dúvida permanente entre o valor da matéria e o bem geral da comunidade… Será isso, possivelmente, o que explica a decoração singela da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, na qual a nave única se enche da policromia própria dos painéis azulejares do Século XVI, prescindindo da opulência vistosa dos dourados barrocos que algum tempo depois hão-de transformar-se na principal marca dos templos e das igrejas de Portugal.
 
 
 
 
Mas, se no Século XVI, foi a génese saloia e rural da actual Freguesia de Carcavelos, quem determinou a estrutura do templo, obviamente enquadrado naquilo que eram as práticas arquitectónicas comuns na sua época, a partir daí foram muitos os problemas que vieram a afectar a igreja, condicionando a sua formulação e até a própria implantação no espaço, naquele que é o coração da localidade.
 
De facto, pouco tempo depois da sua construção, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios foi bastante danificada pelo terramoto de 1755. E se, noutros lugares, a recupeação foi possível e decorreu de forma célere, em Carcavelos o processo foi moroso e difícil, em linha com a pobreza que nessa altura caracteriza aquele espaço. Ao longo do Século XVIII e, mais tarde, durante todo o Século XIX, a situação financeira da Igreja e da Paróquia de Carcavelos foi-se agravando, ao ponto de, por ocasião da implantação da república, a igreja ter sido encerrada por falta de recursos. E daí por diante, mercê da laicização progressiva da sociedade e das influências republicanas sentidas nesta zona Nascente do Concelho de Cascais, a situação foi-se agravando ainda mais, ao ponto de a igreja ter sido mesmo transformada numa escola depois de ter sido desmantelado e vendido todo o seu recheio.
 
Mas a devoção a Nossa Senhora dos Remédios, a senhora que ajuda quem dela mais precisa, acabou por ser determinante na história da própria localidade. Logo depois da implantação da república, é o administrador do Concelho de Cascais quem toa a iniciativa de defender o património da igreja, proibindo a retirada e a venda dos seus painéis de azulejo. E é também ele quem, ao proteger os bens daquele importante templo, recria as condições essenciais para que mais tarde se recupere a paróquia e o culto seja devolvido a Carcavelos.
 
 
 
 
Em termos iconográficos, como consequência da história associada à Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade, que foi a principal responsável pelo orago de Nossa Senhora dos Remédios, a imagem devocional da igreja apresenta uma Nossa Senhora com o menino no braço esquerdo e uma bolsa de dinheiro na mão direita. Cumpria-se, assim, a ajuda da Virgem aos seus devotos, numa entrega de bens que suprem as necessidades mais prementes daqueles que a Ela apelam. E a Senhora dos Remédios, remedei-a assim os mais necessitados, num desapego perante a materialidade que é essencial no percurso espiritual daqueles que seguem o seu exemplo.
 
Será certamente este valor potencial que determina a amplitude devocional em Carcavelos. Dentro da igreja, venerados pelos paroquianos, existe uma outra imagem de Nossa Senhora, esta feita do Carmo, que complementa em termos simbólicos a força que emana no órgão principal. Nossa Senhora do Carmo, possivelmente denotando a relação com o Convento do Carmo existente desde o Século XVI em Cascais, apresenta-se com o escapulário próprio da ordem e representa a total entrega à vontade de Deus.
 
 
 
 

 

A visita à Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, em Carcavelos, é pois o sinónimo desta entrega absoluta à divindade. A singeleza da sua formulação estética, marcante do estilo chão que sempre caracterizou a via em Carcavelos, impõe-lhe uma beleza sem par. Vale a pena, desta maneira, passar os antigos portões de Carcavelos e visitar esta igreja tão especial. 

Festa "Chapéus há Muitos!" SerCascais no FIZZ

João Aníbal Henriques, 21.03.16

 

Uma festa mítica e uma noite muito especial em Cascais. Organizada por Isabel Magalhães, Pedro Rocha dos Santos e João Aníbal Henriques, do Movimento Independente SerCascais, a festa "Chapéus há Muitos!" aconteceu no FIZZ, na Praia de Carcavelos e contou com a presença de 3 centenas de Cascalenses MUITO animados!
 
 
Isabel Magalhães
 
 
 
Pedro Rocha dos Santos e Filomena Gonçalves
 
 
Anabela Gonçalves
 
 
Anabela Azevedo Rua e Manuel Rua
 
 
Filomena Ramilo
 
 
Pedro Rocha dos Santos
 
 
Elsa Henriques, Filipa Ferreira e Anabela Gonçalves
 
 
Hanna Perez, João Ahrens Teixeira e Isabel Magalhães
 
 
António Cabral de Magalhães, Ana Santa Cruz e Rita Freudenthal
 
 
Rita Freudenthal, João Aníbal Henriques e Filipa Ferreira
 
 
Pedro Rocha dos Santos e António Teixeira Lopes
 
 
António Cortez e Celeste Cortez
 
 
Mónica Amante Pereira, Elsa Henriques, Cláudia Veloso, Alexandra Paulo e Eduarda Martins
 
 
Rusa Hespanha e Pedro Santos Paulo
 
 
 
Filomena Ramilo
 
 
António Cabral de Magalhães
 
 
Margarida Rufino
 
 
Pedro Santos Paulo e Alexandra Paulo
 
 
Sofia Cunha Alves
 
 
 
 
Filomena Gonçalves
 
 
 
Pedro Rocha dos Santos e Pedro Santos Paulo
 
 
Mónica Amante Pereira e Cláudia Veloso Parrinha
 
 
 
Gil Cruz
 
 
Filipa Ferreira
 
 
Pedro Rocha dos Santos e Rita Freudenthal
 
 
João Aníbal Henriques, Pedro Rocha dos Santos, Hélder Pereira, Mónica Amante Pereira, Pedro Santos Paulo e Alexandra Paulo
 
 
 
Pedro Santos Paulo
 
 
Anabela Azevedo Rua e Manuel Rua
 
 
 
 
Betty Rodriguez
 
 
 
 
Alexandra Paulo, Cláudia Veloso e Mónica Amante Pereira
 
 
 
Mónica Amante e Pereira e Eduarda Martins
 
 
 
Alexandra Paulo, Elsa Henriques, Mónica Amante Pereira, Filipa Ferreira, Hélder Pereira e Cláudia Veloso Parrinha
 
 
Mónica Amante Pereira, Elsa Henriques, Cláudia Veloso Parrinha, Alexandra Paulo e Eduarda Martins
 
 
 
 
Maurício Chumbo e Fátima Chumbo
 
 
Pedro Santos Paulo
 
 
Pedro Rocha dos Santos, Mónica Amante Pereira, João Aníbal Henriques e Alexandra Paulo
 
 
 
 
 
 
 
Manuel Rua
 
 
Mónica Amante Pereira, Cláudia Veloso Parrinha, Eduarda Martins e Alexandra Paulo
 
 
Elsa Henriques e Filipa Ferreira
 
 
Celeste Cortez
 
 
Pedro Rocha dos Santos e João Aníbal Henriques
 
 
Filipa Ferreira
 
 
 
Anabela Azevedo Rua e Manuel ua
 
 
Pedro Rocha dos Santos e Pedro Santos Paulo
 
 
 
Mónica Amante Pereira
 
 
 
 
Hanna Perez, João Ahrens Teixeira e Isabel Magalhães
 
 
Alexandra Paulo e Mónica Amante Pereira
 
 
Pedro Santos Paulo
 
 
Isabel Magalhães
 
 
Gil Cruz
 
 
 
Cláudia Veloso Parrinha e Eduarda Martins
 
 
 
 
 
Pedro Santos Paulo
 
 
 
Rita Freudenthal, João Aníbal Henriques e Filipa Ferreira
 
 
Elsa Henriques e Filipa Ferreira
 
 
 
Mónica Amante Pereira, Cláudia Veloso Parrinha, Eduarda Martins e Alexandra Paulo
 

SerCascais - Formalização da Primeira Candidatura Independente

João Aníbal Henriques, 30.07.13

Momento histórico em Cascais em que o Movimento SerCascais, liderado por Isabel Magalhães, formaliza a primeira candidatura independente de sempre às Eleições Autárquicas Cascalenses. Mais de 6000 assinaturas marcaram um dia que fica para a História e que prova que... vale a pena SERCASCAIS!