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Cascais com as Mãos na Nossa Terra

por cascalenses, em 18.10.18

 

 
 
por João Aníbal Henriques
 
Outubro de 2018 começou com uma marca negra no Concelho de Cascais. Mais uma vez, de forma inesperada e fortemente impactante, um enorme incêndio que terá deflagrado junto ao Santuário da Peninha, já no Concelho de Sintra, reduziu a cinzas uma área vastíssima que se prolongou até junto à linha de costa na Praia do Guincho.
 
O terror da noite do incêndio, que ameaçou a Malveira-da-Serra, o Zambujeiro, a Charneca e vários outros aglomerados habitacionais situados dentro da área do Parque Natural Sintra-Cascais, levou à evacuação de pessoas, animais e bens e obrigou a uma operação de grande relevo por parte das entidades competentes.
 
Os cerca de 700 homens que combateram as chamas durante toda a noite, apoiados por meios terrestres e aéreos, foram insuficientes perante a dimensão da tragédia e o fogo foi alastrando até consumir quase por completo a zona da duna consolidada da Cresmina, os passadiços que permitiam o seu usufruto e várias espécies endógenas que haviam sido recuperadas ao longo dos últimos anos e que estavam a devolver ao local a linearidade ambiental de outros tempos.
 
Mas o mais impressionante desta tragédia, numa altura em que Cascais ainda cheira a fumo, foi a resposta dos Cascalenses a um apelo lançado pela edilidade e que pedia ajuda para limpar os terrenos ardidos.
 
Na manhã do último Sábado, foram mais de 1200 os Cascalenses que responderam ao repto da Câmara Municipal de Cascais e que, pondo as mãos na Nossa Terra, deram o seu contributo para recuperar a nossa serra.
 
Impressionantes a entrega, a devoção e o carinho que emocionou quem teve a sorte de ter podido participar e colaborar nesta iniciativa!
 
Demonstra que a Identidade Municipal é, de facto, indestrutível!
 
Parabéns à organização pela iniciativa e pela mobilização. Assim vale mesmo a pena.  
 
 

 

 

 

 

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publicado às 15:06

Maravilhas de Cascais - O Trilho Saloio da Ribeira das Vinhas

por cascalenses, em 07.03.17

 

 
 
por João Aníbal Henriques
 
Está de parabéns a Câmara Municipal de Cascais pela excelente intervenção realizada no primeiro troço da Ribeira das Vinhas, entre as traseiras do Mercado Municipal e a Quinta do Casal Ventoso. A recuperação minimalista da antiga serventia saloia, praticamente sem interferências ao nível dos equilíbrios ecológicos do espaço, recupera a ancestral ligação entre Cascais e a suas origens rurais, promovendo a memória colectiva e a identidade municipal.
 
Respondendo a um desejo demasiado antigo expresso pelos Cascalenses no sentido de se proceder à recuperação da antiga serventia saloia da Ribeira das Vinhas, em Cascais, a edilidade requalificou recentemente o primeiro troço do velho trilho, entre a vila e o acesso à Pampilheira.
 
A intervenção, minimalista tal como advogavam os que defendiam o projecto (Ver AQUI), permite o usufruto de uma das mais impactantes paisagens de Cascais, descobrindo um recanto essencial para se conhecer e perceber a História Rural Cascalense (Ver AQUI).
 
Antigo trilho que ligava a vila às aldeias saloias do Cobre, Pampilheira, Murches, Birre e Zambujeiro, a Ribeira das Vinhas foi utilizada desde tempos imemoriais como espaço de troca entre as comunidades que subsistiam da agricultura e que se situavam na zona mais interior do Concelho, e as comunidades piscatórias e cosmopolitas do litoral.  Era através deste caminho de pé-posto, normalmente atravessado pelos grandes rebanhos de ovelhas que noutros tempos marcavam o panorama económico de Cascais, que a vila se abastecia dos bens mais essenciais, como o leite, o pão, a farinha, o queijo e as hortaliças. E era também através dele que, em burricadas que ainda perduram na memória dos mais velhos, as lavadeiras transportavam a roupa que lavavam nas suas aldeias.
 
 
 
 
Para além da imensa riqueza ecológica, bem visível através das muitas espécies de animais que sobrevivem naquele espaço, a Ribeira das Vinhas apresenta ainda um conjunto importantíssimo de património histórico, ao qual se juntam os complexos de grutas e uma paisagem de extraordinária beleza.
 
A intervenção agora concretizada pela Autarquia é, assim, um importante contributo para o fomento da cidadania em Cascais, com possibilidade de rapidamente se transformar num instrumento pedagógico e educativo para as escolas onde estudam as novas gerações de Cascalenses.
 
Sugestões para complementar e melhorar a intervenção agora concretizada:
 
 
 
 
PROLONGAMENTO DA INTERVENÇÃO
 
Sendo excelente, a recuperação agora concluída cinge-se aos primeiros metros da antiga serventia saloia. É essencial que a mesma se prolongue acompanhando o leito da ribeira, numa segunda fase até Alvide e à Quinta das Patinhas e, depois de se ligar ao Parque das Penhas da Marmeleira, atravessando o Vale do Zambujeiro e a Quinta do Pisão em direcção à Barragem do Rio da Mula.
 
 
 
 
RECUPERAÇÃO URGENTE DA ENTRADA
 
O troço existente entre as traseiras do mercado (que agora foi designado como Rua Padre Moysés da Silva) e o início do caminho, está num estado deplorável de abandono. Sem controlo de tráfego e coberto de viaturas por ali estacionam sem regras nem cuidado, é um imenso lamaçal quando chove e um mar de pó durante o tempo seco, impedindo o acesso e o usufruto do espaço recuperado.
 
 
 
 
MOBILIDADE COMUNITÁRIA
 

 

Permitindo uma ligação muito simples e rápida do centro de Cascais aos principais bairros da periferia, é urgente que a intervenção seja complementada com as ligações aos trilhos de Alvide, do Bairro de São José e do Outeiro da Vela. Para além de muitos simples de concretizar, porque os trilhos já existem há muitos séculos, devolverão às comunidades locais um meio acrescido de mobilidade e de acesso ao centro.  

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publicado às 10:33


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