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Portugal Encavacado

por cascalenses, em 23.10.15

 

 
 
Apesar as controvérsias, das discórdias, das polémicas mediáticas, das diferenças de opinião e de todo o conjunto de interesses que dão corpo a este sistema eleitoral partidarizado e pouco democrático que temos (é preciso lembrar que os Portugueses nem sequer são livres de escolher o(s) deputado(s) que os vai representar na Assembleia da República e que, à laia de embuste, são obrigados a fazer uma selecção daqueles que são escolhidos pelos partidos), existe uma conclusão óbvia, linear e inquestionável das eleições legislativas que decorreram no passado dia 4 de Outubro: o vencedor foi a coligação entre o PSD e o CDS.
 
Tiveram mais votos e ganharam as eleições. E, por isso, deveriam ter sido indicados pelo Presidente da República para formarem governo. Depois, com é evidente, os 230 deputados que compõem a assembleia logo decidiriam o que fazer, e arcariam com a responsabilidade da(s) sua(s) decisões perante Portugal e os portugueses.
 
Mas Cavaco Silva, uma vez mais estragou tudo. Quando devia simplesmente ter procedido à indigitação do vencedor das eleições para formar governo, calando-se de seguida de maneira a garantir o normal funcionamento das instituições, proferiu um discurso absurdo e completamente descontextualizado, com laivos de uma raiva que põe em causa a isenção e o distanciamento que o presidente deve ter em relação às escolhas dos portugueses.
 
Ao fazê-lo, Cavaco Silva condicionou de maneira inconcebível o universo partidário e gerou um sentimento de desconforto que põe em causa os interesses de Portugal. 
 
Agora, que o mal está feito, há uma coisa que importa sublinhar para que ninguém no futuro se venha a esquecer: Cavaco Silva é o responsável por tudo aquilo que vier a acontecer aos Portugueses. E deve ficar na história com esse ónus. Porque a decisão foi dele.

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publicado às 12:31

5 de Outubro de 1143: cumprem-se hoje 872 anos de independência de Portugal

por cascalenses, em 05.10.15

 

 
 
por João Aníbal Henriques
 
No dia 5 de Outubro de 1143, há precisamente 872 anos, o Rei Afonso VII de leão e Castelo reconheceu o antigo Condado Portucalense como reino independente e Dom Afonso Henriques como rei. Neste dia nasceu Portugal.
 
Com a assinatura do Tratado de Zamora, assente nos factos atrás mencionados, o novo monarca Português dá início à designada Dinastia Afonsina e ao processo lento, moroso e complicado de fazer reconhecer Portugal pela Santa Sé.
 
Em 1143, o tratado veio reconhecer o reino e o rei, mas Afonso VII exigiu que para que esse reconhecimento se efectivasse, o rei português aceitasse manter-se como seu vassalo directo. Afonso Henriques, sabendo de antemão que a liberdade de movimentos e de determinação da sua história dependiam do reconhecimento papal, enceta um percurso que se arrastará até 1179 quando o Papa promulga a Bula Manifestus Probatum e definitivamente assume o rei português como seu vassalo directo, libertando-o dos laços que o mantinham na dependência de Castela.
 
Ao longo destes quase novecentos anos de história, Portugal tornou-se num caso extraordinário na Península Ibérica e na Europa, sendo afinal o único dos pequenos reinos que conseguiu sobreviver aos desígnios dos grandes países que se impuseram. Com excepção do período de domínio filipino, entre 1580 e 1640 e, mesmo assim, sob o lema de “dois países e uma só coroa”, dado que os monarcas espanhóis mantiveram a independência formal de Portugal assumindo no nosso país uma designação diferente daquela que utilizavam em Espanha, Portugal foi capaz de responder sempre aos grandes desafios que se lhe colocaram, contornando dificuldades e impondo-se sobre as suas especificidades e características.
 
Em 13 de Junho de 1985, em conjunto com Espanha, Portugal voluntariamente assina o tratado de adesão à então CEE, depois de um processo diplomático longo e muito complicado cujo principal mentor foi Mário Soares. A concretização deste desígnio é, aliás, confirmada em Janeiro de 1986, em cerimónia que decorreu no Mosteiro dos Jerónimos, já com Cavaco Silva enquanto Primeiro-Ministro.
 
 
 
 
 
Mas são muitos os factos e os acontecimentos que causam estranheza neste dia 5 de Outubro. A começar pelo (quase) incrível facto de não ser feriado em Portugal neste dia em que se comemora o nascimento do País e a conquista da independência nacional. 5 de Outubro de 1143 deveria ser estudado, compreendido e devidamente assinalado pois é ele que determina toda a existência política do nosso País até à entrada neste Europa. Depois, mais estranho ainda, é o facto de tanto esforço e dedicação que foram necessários para cumprir este objectivo, tenham sido anulados pelo esforço feito por Mário Soares e Cavaco Silva para desbaratar essa independência numa adesão incondicional e destravada a uma Europa com qual nada tínhamos a ver. E, sobretudo, o facto de esta entrega incondicional da nossa soberania, ter sido alcançada numa posição de subserviente obediência aos organismos Europeus, sem que Portugal tenha sido capaz de oferecer à Europa um contributo que resultasse das suas imensas potencialidades, não valorizando a sua entrada com um contributo que capitalizasse as suas posições e decisões, mas tão só enquanto membro-pedinte que ficou refém dos fundos e das infra-estruturas que a Europa ofereceu.
 

 

No dia 5 de Outubro de 2015, marcado pela ausência do Presidente da República nas muitas cerimónias que procuram reforçar as memórias da revolução que nefastamente e de forma antinatural implantou a república em Portugal (porque está sossegado a pensar), importa recordar os bravos de 1143, que neste dia deram corpo ao mais importante dia da vida Nacional.

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publicado às 15:01

O Estado da Anestesia em Portugal

por cascalenses, em 17.11.14

 

 

por João Aníbal Henriques

 

Rebentou na última semana um dos maiores escândalos de sempre em Portugal. Com mais de uma dezena de envolvidos escolhidos de entre alguns dos mais altos funcionários do Estado, este escândalo mostra aos Portugueses um novo nível de corrupção, mais em linha com um qualquer romance de cordel do que com a triste história que actualmente caracteriza este país em que vivemos.
 
Infelizmente, depois do enredo que envolveu o mais escandaloso início de um ano lectivo em Portugal; da incrível estória protagonizada pelo Ministério da Justiça e dos seus inventados sabotadores encomendados que paralisaram os tribunais e a própria justiça durante muitas semanas; do extraordinário caso de falência do Grupo Espírito-Santo, com as incompreensíveis intervenções do Banco de Portugal, do Governo e do Presidente da República; da odorífera facada nas costas dada no líder do PS pelo seu correligionário socialista que ainda é presidente da Câmara Municipal de Lisboa; da cisão absurda e tremenda na já de si liderança bicéfala do Bloco de Esquerda; da maravilhosa estória da decisão irrevogável do Presidente do CDS; do abrasileirado escândalo da destruição da Portugal Telecom, acompanhado pelos prémios chorudos que foram dados aos que cavaram a sepultura daquela empresa estratégica para Portugal; de um Presidente da República que tibuteantemente mostrou não estar interessado em intervir directamente nos destinos do nosso Estado e de um Governo que assobia alegremente perante o descalabro geral que caracteriza Portugal, pouco ou nada resta para dizer, pensar ou discutir neste nosso desgraçado país…
 
A dose de irrealismo, que dantes se comparava ao caos que se instalou durante a primeira república mas que actualmente já o ultrapassou largamente, transformou Portugal numa espécie de grande arena de circo na qual tudo pode acontecer.
 
Já ninguém se espanta, nem ousa sequer criticar ou contrariar as desvairadas decisões de quem detém o poder. Para quê?...
 
E, se a nível estatal as coisas atingiram um descrédito que é transversal a todos os partidos e a todos os sectores de actividade, a nível local a situação não é diferente. Presidentes de câmaras legitimados pelos votos das eleições de 2013, põem e dispõem da coisa pública como se ela fizesse parte do seu pecúlio pessoal. Os balcões das empresas municipais, repletos de faces airosas oriundas das juventudes dos partidos onde trabalharam gratuitamente em troca de um emprego, são uma espécie de pastos onde a maralha divide o pouco que Portugal ainda consegue produzir.
 
E quem pode pensar em criticar esta gente? Ninguém! Pois se é tudo assim… se todos fazem o mesmo… se ninguém assume as consequências dos seus actos e se à boca cheia se regurgita a máxima de que quem não come é parvo!...
 
O certo, para alguém que ainda gosta de Portugal e que acredita que ainda é possível salvar a herança que recebemos dos nossos avós ao longo de mais de oito séculos, é que já pouco ou nada há a fazer. Pelo menos de dentro desta máquina de devastação onde os equilíbrios são precários e as dependências são transversais a toda a gente.
 
Entretanto, enquanto lá fora as estações vão passando, cruzando eleições futuras com os muitos interesses que todos sabem que dão forma ao nosso Estado, continuam um espectáculo deprimente que todos somos obrigados a ver e a financiar.
 
Os Portugueses estão anestesiados, incapazes até de reagir ao que no estão a fazer. E ainda bem que assim é! Porque senão seria insuportável a dor perante o desrespeito atroz perpetrado por esta gente. 
 

Não vale a pena! The show must go on! Já não há nada que se possa fazer… 

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publicado às 12:15

Portugal: Uma Pátria sem Povo

por cascalenses, em 11.06.14

 

por João Aníbal Henriques

Num 10 de Junho marcado pelo desmaio do Presidente da República, Cavaco Silva, em se pretendia comemorar o Dia de Portugal e dos Portugueses, assistimos tristemente ao estado de vazio exemplar a que deixaram chegar Portugal.

A cerimónia comemorativa, preparada ao pormenor, foi pensada para a praça principal da cidade da Guarda na qual, em frente à extraordinária fachada da Sé, se conjugavam todas as condições cenográficas para tão importante ocasião.

Mas, estranhamente, destas cerimónias ficou arredado o público – leiam-se os Portugueses – que foram impedidos de aceder àquele espaço. Esta decisão, que nenhuma entidade oficial se dignou explicar, ficou naturalmente a dever-se ao medo da contestação popular. Afinal, no Dia de Portugal e dos Portugueses não é suposto ouvir-se a voz dos próprios…

E, com o desmaio de Cavaco a encher televisões e capas de jornais, fica reduzido ao sorriso cínico do sindicalista perverso perante a adversidade do Chefe de Estado, o estado a que conduziram Portugal.

Sem povo e sem Portugueses, este dia foi somente mais uma oportunidade para o confronto desonroso dos partidos e dos poderes que controlam Portugal, digladiando-se numa luta que coloca os seus interesses à frente dos interesses do País e gerando uma onda de insignificância que se traduz na abstenção eleitoral que todos bem conhecemos e num ódio crescente que ontem todos verificámos.

Dirão que é este o Portugal que temos. Não é verdade.

Este Portugal que encheu a comunicação social, do qual ficaram arredados os Portugueses, é um Portugal artificial, desinteressante, promíscuo, insignificante e reles. É o Portugal do rotativismo eleitoral em que vivemos e que eles teimam em continuar a chamar democracia. Um regime que não respeita os Portugueses, os seus sentimentos e as suas necessidades. Um regime fechado sobre si próprio e a sugar dia após dia, os últimos laivos de uma grandiosidade que a Pátria ainda tem mas que eles estão quase a conseguir matar.

O que ficou deste 10 de Junho?

Nada. Infelizmente para Portugal. 

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publicado às 12:58

Trovas de um vento que não passa...

por cascalenses, em 31.03.14



por João Aníbal Henriques

Agora que Portugal se prepara para comemorar os 40 anos do 25 de Abril, importa tomar especial atenção à forma como a liberdade ditou o presente e está a condicionar o futuro do nosso País…

No sector da educação, por exemplo, são precisamente aqueles que dizem que defendem a liberdade quem impede que todos os Portugueses tenham acesso às mesmas oportunidades e à possibilidade de construírem de forma consciente o futuro dos seus filhos.

A liberdade que eles dizem defender, de expressar opiniões, de reunião, de crítica, em suma, de se fazer o que se quiser, ainda não chegou à educação. Os detentores da dita liberdade, ironicamente utilizando os mesmos argumentos que há mais de 40 já eram usados para negar aos Portugueses a possibilidade de escolherem o futuro dos seus filhos, não permitem a livre escolha da escola.

Ao procederam assim, pretensamente em defesa desta maltratada liberdade, criam dois tipos de Portugueses: os que têm os meios que lhes permitem escolher a escola onde querem inscrever os seus filhos, porque a podem pagar; e aqueles que, por não poderem pagar, estão literalmente condenados a ver os seus filhos inscritos na escola que o Estado lhes escolheu. Mesmo que seja a menos adequada, aquela que nada lhes diz e que não os representa. Mesmo que ali mesmo ao lado exista outra escola onde eles poderiam ser felizes, encontrar o projecto que se aproxima das suas expectativas de vida e que faz mais sentido perante as aspirações que têm.

Os primeiros, podem progredir nos seus estudos, plenos de significado e perfeitamente adaptados às características das crianças. Têm a liberdade de ser bons ou maus alunos; de estudar mais ou menos; de preparar a sua vida académica e de planear o futuro que querem ter. Os outros, os que por motivos diversos não podem pagar, estão impedidos de o fazer.

Num tempo em que as trovas ecoam sublimes pelas paredes ocas que alguns tentam associar à liberdade, em loas avermelhadas a que já nos habituámos, é inadmissível que preconceitos e interesses terceiros impeçam os portugueses de poderem escolher livremente a escola e o futuro dos seus filhos.

Porque estão a impedir o País – que desde 1974 já foi resgatado 3 vezes – a mais 40 anos de falta de capacidade para gerir o seu destino e para recuperar a pujança, o dinamismo e o empreendedorismo de outros tempos.

Porque sem liberdade não existe democracia verdadeira e Portugal merece ser livre. Finalmente. 

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publicado às 15:17


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