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Património de Cascais - Memórias Antigas da Nossa Terra

por cascalenses, em 20.09.16

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Na semana em que Cascais se prepara para comemorar o património, oferecendo à sua população a possibilidade rara de visitar peças que fazem parte da identidade Cascalense e que estão normalmente fechadas ao público, importa recuperar este que é um dos temas mais importantes para a Nossa Terra.

 

Entre 1993 e 2000, a Fundação Cascais preparou o “Levantamento Exaustivo do Património Cascalense”  O trabalho agregou um conjunto de seis bases de dados (uma por cada freguesia) com um total de 2900 fichas patrimoniais e cerca de 500 páginas de sugestões e propostas que tinham como principal objectivo recriar um instrumento de trabalho profícuo para a administração municipal.

 

O L.E.P.C. foi publicado em versão electrónica através de um suporte em CD-Rom, tecnologia de ponta naquela época, facto que se tornou possível depois do apoio que a instituição recebeu da Câmara Municipal de Cascais para esse efeito, tendo sido distribuído gratuitamente em todas as bibliotecas e escolas do município.

 

Infelizmente, 16 anos depois dessa publicação, uma parte substancial das peças patrimoniais inventariadas pela Fundação Cascais já desapareceu. Algumas foram destruídas pela fúria do betão e deram lugar a espaços incaracterísticos que todos conhecemos; outras desapareceram como consequência da ruína que resultou do seu abandono; e outras tantas, embora devidamente classificadas, foram “esquecidas” pelo poder político, vendo desaparecer todo o potencial turístico, cultural e social que ainda possuíam.

 

Em 2003, quando a Fundação Cascais publicou a sua revista dedicada ao património, fez-se o ponto-de-situação em que nos encontrávamos… Isabel Magalhães, então presidente do Conselho de Fundadores, dizia que “a inventariação e a posterior classificação dos imóveis com valor, é o primeiro passo que se deve seguir para combater a degradação”. Filipe Soares Franco, o então presidente do Conselho de Administração, sublinhava que “apesar de ter sido notório o apoio da sociedade civil a esta causa, os partidos políticos ignoraram o apelo, criando assim as condições que permitiram a delapidação patrimonial de Cascais”. Pedro Luís Cardoso, tesoureiro da instituição, dizia que “sem património e sem memória fica comprometida a vocação turística de qualidade de Cascais” e João Aníbal Henriques, coordenador do projecto, explicava que “no ano 2000, quando a Fundação Cascais entregou à Autarquia o ‘Levantamento Exaustivo do Património Cascalense’, com seis bases de dados e cerca de 2900 imóveis inventariados, deixou de existir desculpa para o desconhecimento que se alegava noutros tempos”.

 

Tantos anos depois, quando muitos dos imóveis que constam no Levantamento Patrimonial realizado pela Fundação Cascais já são história e não passam de memórias difusas de alguns Cascalenses, vale a pena voltar a percorrer cada uma destas fichas e destas fotografias que ainda se encontram por aí em bibliotecas espalhadas por esse País fora.  Por ali se encontram os laivos oníricos de um Cascais que soçobrou perante os muitos interesses que permanentemente se digladiam à sua volta, mas também os pilares indestrutíveis de um edifício de cidadania que dignifica a Nossa Terra.

 

 

Clique AQUI para reler a Revista Fundação Cascais dedicada ao Património Cascalense

 

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publicado às 14:50

Tratar da Saúde a Cascais

por cascalenses, em 30.08.16

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Actualmente o edifício do antigo Hospital dos Condes de Castro Guimarães, vulgo Hospital de Cascais, encontra-se devoluto e poucos são aqueles que sabem o que ali se vai fazer, preocupando os Cascalenses e criando espaço para especulações que vão minando a confiança dos cidadãos.

 

Em 2002, quando a saúde era o principal desafio que se colocava a Cascais, a Fundação Cascais publicou um número da sua revista inteiramente dedicada a este sector. Nessa altura, perante a total desadequação do velho hospital perante as necessidades efectivas de Cascais e dos Cascalenses, a instituição veio propor um “Plano Global de Saúde para Cascais” que, para além da urgente construção de um novo hospital, recriasse também uma rede global de apoio à população, com hospitais de rectaguarda, cuidados preventivos, cuidados continuados e cuidados paliativos.

 

Vale a pena recordar a entrevista ao então recém-eleito Presidente da CMC, António d'Orey Capucho, que despoletou um processo importantíssimo de reformulação da saúde no concelho depois de mais de duas décadas de completo marasmo. Nota especial também para a entrevista a Maurício Chumbo, então director clínico do Centro Hospitalar de Cascais, que chefiava uma equipa que fez literalmente milagres nas condições inadmissíveis com as quais trabalhava.

 

Menção especial ainda para o artigo da autoria de Isabel Magalhães, nessa altura vereadora independente com o pelouro das actividades económicas, sobre a relação entre a prática empresarial e a saúde de Cascais. Na mesma linha, Pedro Luís Cardoso vem defender a importância da existência de cuidados de saúde de qualidade para o desenvolvimento da vocação turística da região.

 

Por fim, num acto de gratidão que marcou o décimo aniversário da presença da Fundação Cascais no Centro Pastoral Nossa Senhora e Fátima, no Bairro do Fim-do-Mundo, a notícia da publicação do livro infantil O Grande Fininho, que corporizava uma homenagem muito sentida ao trabalho e à dedicação das Irmãs Salesianas Elvira e Joaquina a uma das mais desfavorecidas comunidades Cascalenses.

 

Releia AQUI a Revista “Tratar da Saúde a Cascais”

 

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publicado às 15:22

Pelo Futuro de Cascais - Revista Fundação Cascais nº 4 de Janeiro de 2002

por cascalenses, em 29.07.16

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Em Janeiro de 2002, quando foi publicado o nº4 da Revista Fundação, Cascais atravessava uma das mais marcantes mudanças desde  o início do novo Século: depois de um longo e complexo mandato autárquico de José Luís Judas, toma posse como Presidente da Câmara Municipal de Cascais António d'Orey Capucho, abrindo uma janela de esperança no devir futuro da grande maioria dos Cascalenses.

 

O "Futuro de Cascais" que serviu de mote a esta revista, tinha como pressuposto o estabelecimento de pontes entre aquilo que ainda existia de bom na história recente do concelho e as novas ideias e rumos que poderiam ajudar a reverter a profunda crise que então existia e a trazer Cascais para a senda de um progresso sustentado que os Cascalenses desejavam.

 

Vale a pena reler as palavras de apelo de Filipe Soares Franco na abertura da revista, e também o texto da autoria de Pedro Cardoso que aponta o turismo como a grande vocação municipal. De salientar ainda, a título histórico, a recuperação da memória da loja Faraó, numa entrevista sentida com Jorge Marques, fundador da Fundação Cascais e conceituado empresário comercial Cascalense e a entrevista com o então Presidente da Associação Comercial de Cascais, Eurico Penas Paulo

 

Digno de grande destaque (até porque mantém totalmente a sua actualidade), a apresentação do PIRME - Programa Integrado de Requalificação do Monte Estoril, o primeiro grande projecto de revitalização urbanística e comercial jamais elaborado e apresentado em Cascais. Neste projecto, coordenado pela Associação de Moradores do Monte Estoril, conjugaram-se os contributos e as propostas de quase todas as instituições com interesses naquela importante localidade. A comissão promotora deste projecto era composta por Alfredo Dias Valente de Carvalho, António Pinto Coelho de Aguiar, Diogo Velez Mouta Pacheco de Amorim, Jaime Roque de Pinho de Almeida (Lavradio), João Aníbal Queirós Felgar Veiga Henriques, Joaquim Manuel Cardoso Mendes, José Francisco Gomes Santos Fernandes, José Luís de Athaíde de Almeida e Silva, Luís Miguel Lupi Alves Caetano, Manuel Pinto Barbosa, Paulo Ribeiro Maia de Loureiro e Salvador Correia de Sá. O PIRME pode ser consultado clicando AQUI

 

Vale a pena voltar a ler!

 

Revista Fundação Cascais - Janeiro de 2002 from Plataforma Cascalenses

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publicado às 15:42

"Mau Ambiente em Cascais" - Revista Fundação Cascais nº3 - Novembro de 2001

por cascalenses, em 04.07.16

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O ambiente é um dos pilares essenciais da vocação turística de Cascais! A qualidade da nossa paisagem, o carácter único da nossa História, o nosso clima especial, os monumentos que ainda temos, os cantos e recantos que transformam as nossas vilas e lugares em algo único e irrepetível, são aquilo que sustentou durante um século a prosperidade internacional da marca turística ‘Estoril’ que, nascida da excepcionalidade de Cascais, sempre conferiu à Nossa Terra o prestígio que a transformavam num destino turístico de excepção.

 

Mas o ambiente tem sido sempre uma espécie de “parente pobre” da governação municipal…

 

Debruçando-se sobre este tema, a Fundação Cascais publicou em Novembro de 2001 a revista “Mau Ambiente em Cascais” onde esmiuçava algumas das mais rocambolescas histórias que envolvem a gestão ambiental do Concelho.

 

Filipe Soares Franco, então Presidente da Fundação Cascais, num artigo pragmático sobre este tema, conclui que é batota o que se estava a passar em Cascais, ao mesmo tempo que Pedro Cardoso se debruça sobre a vocação turística de Cascais e sobre a necessidade premente de resolver em definitivo os muitos problemas ambientais que naquela altura caracterizavam o território municipal.

 

No artigo de fundo, desconstroem-se muitos dos mitos que envolvem o ambiente em Cascais. Da ‘Verdadeira História do Abano’ que veio, pela primeira vez, trazer luz sobre o imbróglio que tanto prejudicou Cascais, até à criação de uma entidade “lunar” para gerir os espaços públicos, a instituição apresenta um levantamento exaustivo do que se estava a passar no território contido na área do Parque Natural de Sintra-Cascais, mostrando um cenário dantesco de lixo, incúria e desleixo no qual não faltavam sequer um enorme amontoado de construções clandestinas…

 

E Isabel Magalhães, analisando de forma independente o que estava a passar-se no PNSC, conclui que os vereadores que representavam as câmaras municipais de Cascais e Sintra na estrutura directiva do parque “desempenhavam um papel de verbo-de-encher”!

 

Enfim… cenários de há 15 anos atrás que tanta influência tiveram (e ainda têm) no Cascais no qual hoje vivemos, num clima de profundo mal-estar e de mau-ambiente que não deixava nenhum Cascalense satisfeito.

 

Releia AQUI a versão integral da Revista Fundação Cascais e Novembro de 2001

 

 

Revista Fundação Cascais - Novembro 2001 from Plataforma Cascalenses

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publicado às 17:50

Cascais Está à Venda! - Revista Fundação Cascais - Setembro de 2001

por cascalenses, em 23.06.16

Corria o mês de Setembro de 2001, com as eleições autárquicas quase a chegar, quando o Concelho de Cascais acordou completamente coberto de tabuletas anunciando a venda de propriedades. Eram várias centenas, espalhadas sobretudo pela zona interior do território municipal e resultavam da utilização de um aparentemente insignificante artigo no PDM (Plano Director Municipal) dessa época para proceder à legalização rápida das centenas de loteamentos clandestinos que proliferavam nesta terra. A Fundação Cascais realizou um trabalho de fundo sobre a matéria e concluiu que cerca e 1/3 do território concelhio ficava em causa com este procedimento. E que a negociata fez prosperar muita gente...

 

Neste número desta revista histórica, uma crónica da autoria do saudoso António de Brito intitulada "Pelas Ruas da Amargura" faz um périplo pelas ruas e ruelas da Vila de Cascais. Há 15 anos, os problemas detectados eram basicamente aqueles que hoje afectam os Cacalenses. 

 

Ainda uma nota especial para as "Figuras de Cascais", neste número homenageando o Comendador Joaquim Baraona, e para o artigo de reportagem sobre o estado deplorável em que se encontrava o Palácio Real da Cidadela de Cascais. Esta foi, felizmente, uma batalha que a Fundação Cascais venceu.

 

E ainda a recuperação da memória de Cascais através de uma peça sobre a "Pastelaria Bijou" e o trabalho desvenvolvido pelo seu proprietário, Pedro Canelas, em defesa do comércio tradicional Cascalense. 

 

Vale a pena voltar a ler!

 

Revista Fundação Cascais - Setembro 2001 from Plataforma Cascalenses

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publicado às 17:13

A Saga da Linha da CP em Cascais

por cascalenses, em 19.01.15

 

 

Em 1999, no âmbito da preparação das propostas da Fundação Cascais no processo de revisão do Plano Director Municipal, estivemos com Filipe Soares Franco e Pedro Cardoso, numa reunião com responsáveis pela CP para conhecermos a real situação em que se encontrava a linha de comboios de Cascais.
 
Nessa altura (já lá vão 16 anos) conhecemos a realidade dramática com a qual nos debatíamos: Uma linha tecnicamente em fim de vida, com problemas variados e muito graves e, sobretudo, com a necessidade de uma intervenção estrutural urgente que permitisse a alteração da bitola da linha para que nela pudessem circular comboios mais modernos.
 
A substituição do material circulante era já nessa altura impossível por não existirem comboios novos à venda no mercado e por estar a acabar o stock de peças. E a manutenção do que existia, depois de muitas décadas de trabalho, começava a ser tarefa cada vez mais complicada, por serem muitos e graves os problemas que iam surgindo quotidianamente.
 
 
Alertadas as entidades oficiais, desde o governo de então até à autarquia, passando pelos partidos políticos da oposição e pelos muitos autarcas que nos diversos órgãos municipais representavam e diziam defender os interesses dos Cascalenses, ninguém se importou realmente com o que estávamos a dizer.
 
A esperança de vida da linha era, nessa altura, superior a um mandato eleitoral e, por isso, seria problema que teria de se resolvido por quem viesse governar Cascais mais para a frente…
 
Esta semana, quase duas décadas depois desse nosso alerta, a CP veio anunciar uma redução dramática de 51 comboios diários na linha de Cascais. Com reduções de horários, que ficam a dever-se à falta de material e não à falta de utentes, esta redução configura um importante revés para a vida dos milhares de passageiros que diariamente utilizam a Linha de Cascais, e também para as acessibilidades turísticas à Costa do Estoril.
 
Há 16 anos atrás, quando tornámos público este problema e o incluímos no conjunto de propostas que entendíamos que deveriam constar na revisão do PDM, ninguém quis saber e os actuais autarcas de Cascais, que nessa altura já eram autarcas, assobiaram para o lado e fingiram que não era nada com eles.
 

 

Agora, perante as evidências, todos gritam de forma unânime! Agora, tentando rentabilizar a seu favor o desencanto e o descontentamento dos utentes, já todos se preocupam com o que está a acontecer. Porque é este o Cascais que temos. 

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publicado às 17:03

As Festas do Judas em Cascais (*)

por cascalenses, em 28.08.14

 

por João Aníbal Henriques

Há precisamente vinte anos iniciava-se um novo ciclo político em Cascais. Depois das Eleições Autárquicas de finais de 1993 (ver aqui), o novo Presidente da Câmara Municipal de Cascais, José Luís Judas, impunha um novo estilo na governação municipal, depois de ter vencido as eleições com uma maioria absoluta que levou o Partido Socialista a conquistar Cascais de forma completa.

No Verão desse ano de 1994, Cascais conheceu a primeira grande mudança na governação. As Festas do Mar, ancestral festejo organizado pelos pescadores locais e que tinha como ponto alto a Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, foram substituídas por um grande evento social que, enchendo Cascais com milhares de visitantes, alterou por completo a orientação original dos festejos.

A partir dessa altura, com engarrafamentos brutais que entupiam literalmente os acessos à Vila, com carros estacionados em cima dos passeios, gente e mais gente que em enormes multidões enchia por completo cada recanto de Cascais, tornou-se hábito vir à nossa terra assistir aos concertos gratuitos e, sobretudo, ao fogo-de-artifício que deslumbrava os visitantes. No meio da multidão que afluía à Baía ouviam-se as interjeições de gente completamente siderada pelo espectáculo que a Câmara Municipal lhes proporcionava, acompanhado, como se de uma grande produção de Hollywood se tratasse, pela banda sonora dos Vangelis.

E Cascais estava completamente rendido ao charme sindicalista do novo Presidente. Dos empresários locais, às grandes famílias tradicionais, passando pelos restaurantes, pelos construtores, pelos ambientalistas e por muitos anónimos que dão forma ao povo de Cascais, era quase unânime a aprovação de todos perante aquele que, sem a gravata de sempre e com a barba de cinco dias por fazer, voltava a colocar Cascais no mapa da animação de Portugal. E ai daqueles que ousassem criticar o novo Presidente! Com festas, feiras e barracas a encher permanentemente a Vila, eram poucos os que ousavam falar de assuntos como urbanismo, património, segurança, trânsito, saúde, turismo ou qualquer outra matéria importante para o equilíbrio estrutural do município Cascalenses!

Se havia escaramuças, então era o delírio! Lá vinham os jornais e as televisões entrevistar o senhor presidente que, cada vez mais popular, explicava que eram situações normais e que Cascais estava a recuperar a animação de outros tempos… Em fundo, sempre os Vangelis, numa apoteose de sucesso que enchia de fulgor a governação municipal.

Os efeitos desta onda de apoio não demoraram a fazer-se sentir. O novo presidente não respondia a cartas nem a faxes (ainda não existiam emails) de munícipes que ousassem questionar as suas prioridades e, num instante, as instituições nas quais existiam Cascalenses descontentes com a festança permanentemente instalada em Cascais, começaram a receber as notícias acerca das “faltas de verbas”, da “impossibilidade de dar continuidade aos apoios de sempre”, das “dificuldades com se debatia o orçamento municipal”, etc. etc.

Nos Paços do Concelho, multiplicavam-se os assessores, chefes-de-gabinete, directores municipais e outras figuras do género que, numa lógica de clientelismo partidário que tanta mossa  fez e faz ainda, respondiam aos Cascalenses. O Presidente só existia para aqueles que o elogiavam de forma incondicional e completamente dependente.

E o resto foi o que hoje, infelizmente, já se conhece muito bem: o descalabro geral de um Concelho onde o betão se multiplicou numa onda de destruição que pôs em causa a essência de Cascais; o património histórico e arqueológico num estado de incúria e de abandono que envergonhava quem gostava de Cascais; a saúde abandonada à sorte de um hospital esgotado há 30 anos e sem soluções à vista; a segurança a descambar para uma situação terrível onde a criminalidade grassava sem capacidade de resposta por parte das entidades competentes; o parque natural transformado num enorme depósito de entulho ao sabor dos projectos e das construções que por lá se iam fazendo; os bairros clandestinos legalizados à força e à custa do erário municipal como estratégia populista de manter o apoio eleitoral do PS; e muitas outras desgraças que os jornais da época traduzem de forma premente.

À sombra das festanças, dos cocktails, das inaugurações e das reportagens nas revistas da moda, a “mudança tranquila” ia encobrindo sob o manto da distracção e do engano a destruição paulatina da Identidade Cascalense.

Essa onda de destruição foi quase tão grande como o eram os bandos de visitantes que enchiam as ruas da Vila aos Sábados à noite, ao ponto de Cascais – o Cascais de sempre que conhecemos e do qual todos gostamos – quase ter desaparecido completamente, tendo sido quase impossível, mesmo depois de nove anos de uma presidência séria do Cascalense António Capucho, recuperar integralmente da destruição que a nossa terra conheceu.

Mas como epifenómeno que era, a popularidade de Judas acabou por se desvanecer. Durante o segundo mandato do então Presidente, depressa os Cascalenses perceberam que por detrás do cenário criado através de um clima de festa permanente havia um município que estava a destruir-se rapidamente.

Choveram as críticas e os ataques e muitos daqueles que tinham sido arrastados pelo apelo simpático do Presidente, acabaram por perceber que o fogo-de-artifício não era suficiente para encobrir os muitos desenganos que estavam a acontecer.

E virou-se o feitiço contra o feiticeiro, como sempre acontece. A verdade acaba sempre por impor-se e por chegar aos Cascalenses. 

Já temos 650 anos de História repleta deste tipo de acidentes…

 


(*) Qualquer semelhança entre o que se passou há vinte anos e o que acontece actualmente em Cascais não é mera coincidência…

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publicado às 17:16

O Casal do Clérigo e a Memória Urbanística de Cascais

por cascalenses, em 19.06.14

 



por João Aníbal Henriques

Situado a Este de Manique, na freguesia de São Domingos de Rana, o Casal do Clérigo é actualmente uma das mais pequenas localidades do concelho de Cascais. Com uma população pouco numerosa e envelhecida, esta povoação distingue-se ainda hoje pela sua riqueza natural, quer em termos paisagísticos, quer em termos de solo, quer mesmo no que aos recursos naturais diz respeito. Mais uma vez, e tal como em muitas pequenas aldeias do interior Este deste território municipal, o Casal do Clérigo é rico em pedra Calcária, que utilizou, trabalhou e exportou em grande quantidade.

Se do ponto de vista estratégico esta povoação tem pouco a oferecer, não possuindo significativas infra-estruturas, escolas igrejas, campos desportivos ou outros equipamentos, do ponto de vista patrimonial, é de grande quantidade de monumentos, possui no seu seio belíssimos exemplares de imóveis  de grande interesse histórico e arquitectónico, nomeadamente no que diz respeito às formas rurais destacando-se a presença de dois casais rurais com primeiro andar, um saloio, e de uma captação pública de água, enquadrada dentro de um sistema de aqueduto destinado às regas e à prática agrícola.

O casal saloio é um dos mais antigos vestígios da arquitectura rural do concelho de Cascais. Muito embora seja quase impossível determinar com exactidão a data precisa da sua construção, a volumetria simples que apresenta, bem como o seu característico enquadramento espacial, e a própria forma interna, aparentam a consolidação de uma sobreposição de ocupações, de onde se destaca, pela presença do pátio retirado e pelo recolhimento da sua colocação, os elementos básicos da presença muçulmana.




 
De facto, se nos ativermos aos elementos arquitectónicos, este casal saloio apresenta características próprias dificilmente verificáveis noutros exemplares análogos deste concelho. A estrutura de suporte do telhado, que ainda possui as velhas telhas de burro, bem como a aparelhagem da parede, apresentam sinais evidentes de um alonga ocupação, ao longo da qual muitas terão sido as transformações aplicadas ao imóvel. muito embora o seu estado de ruína contribua para a sua descaracterização, bem como para o o desagrado com que é vista a manutenção da existência deste espaço, o certo é que o casal saloio do Casal do Clérigo foi já uma peça importante da estrutura habitacional cascalense que, para além de indiciar o modo de vida agrícola do seu proprietário, aponta ainda para o registo das influências norte-africanas, desde meados do século VIII, e para a continuidade e manutenção das inovações trazidas desse espaço. A alvenaria grosseira das paredes, que possuem mais de meio metro de espessura, e a pequena janela aberta possivelmente em períodos mais recentes, indiciam a presença de um exemplar muito antigo da arquitectura popular cascalense.

O exemplar de casal rural que apresentamos indicado com o número 480, é um excelente exemplo daquilo que foi o verdadeiro Casal do Clérigo de outrora. O edifício, com andar duplo e exploração agrícola é um dos exemplos dos velhos casais agrícolas que existem em grande quantidade por todo o concelho, demonstrando, de forma evidente, a forma como as influências muçulmanas, implicaram na criação, manutenção e desenvolvimento das estruturas de pensamento cristãs medievais.




 
Em termos arquitectónicos, este casal rural do Casal do Clérigo apresenta uma estrutura sólida e quadrada, com paredes de espessura uma estrutura sólida e quadrada, com paredes de espessura superior a cinquenta centímetros e cantarias de rígidas de calcário. A fachada, com uma porta no andar inferior e uma janela de quatro partes no superior, denota a necessidade de solidez na construção inicial, indiciando ainda a forma segura e pouco dispendiosa com que se queria realizar esta habitação. Embora de alguma forma desenquadrada das formas tipológicas mais usuais no concelho de Cascais, pela colocação de espanta-fantasmas nos beirais do velho telhado, este casal rural apresenta elementos apensos que, só por si, são merecedores de especial atenção por parte das entidades competentes. A existência de um poço, onde se insere uma nora de metal, marca a diferença deste espaço, onde a vocação rural rural, mais ainda do que a própria fisionomia sóbria da edificação, se desenvolve em torno do corpo principal da propriedade. O sistema de armazenamento de água a partir do poço, num pequeno depósito colocado junto ao primeiro andar, indicia por seu turno a realização de obras de adaptação em período recente, sendo que, o actual estado de abandono, só pode ser resultado das normais contingências da vida, em que o ciclo do nascimento, desenvolvimento e morte, inadiável em todos os seres humanos, trás implicações difíceis de gerir no que à manutenção do património diz respeito.

O facto de se encontrar à venda, bem como a necessidade que existe de promover as raízes culturais das gentes que vivem nas imediações, parecem apontar este casal rural como uma das peças fundamentais para o desenvolvimento concertado do concelho, assumindo, pelas suas características e pelos elementos que lhe foram apensos, uma vocação pedagógica que dificilmente será substituível pelo mais capaz dos professores.





Fazendo conjunto com o exemplar anteriormente referido, encontramos no Casal do Clérigo outra edificação de grande valor patrimonial. Situado a poente da estrada que liga esta aldeia a Trajouce, o casal rural com primeiro andar, classificado com o número 497, está actualmente em utilização comercial como fábrica de mármore, atestando, como se referiu no início, a importância que a indústria extractiva da pedra assumiu no seio da economia das populações do interior do concelho de Cascais.

O exemplar em questão, possuidor de grandes analogias com o anteriormente citado, possui uma frontaria de dimensões idênticas às do anterior, existindo ainda a mesma disposição de porta e janela. Esta, muito embora possua as mesmas dimensões daquelas apresentadas pelo exemplar já referido, está dividida em três partes, indicando o factor de ser possivelmente mais recente do que a outra. Muito embora não possua as estruturas de espanta-fantasmas referidas anteriormente, este exemplar apresenta curiosos sinais da prévia existência de um telhado a meia altura, possivelmente um telheiro de apoio ao telhado principal de quatro águas que já não existe. A utilização como depósito e oficina de talhe de mármore, bem como a sua situação no seio de um bloco de construções de pouca qualidade arquitectónica e urbanística, cria aparentemente algumas dificuldades à utilização deste espaço. No entanto, e porque de recuperações pretende este trabalho falar, salientamos o facto de ser extremamente vantajoso para o concelho, do ponto de vista urbanístico e cultural, a requalificação destes espaços. Para tal, e porque a manutenção do funcionamento da oficina não pode, obviamente, ser posta em causa, necessário seria investir na reconversão total daquele espaço, de modo a integrar a faceta histórica e patrimonial, numa visão mais ampla de progresso, onde a memória do futuro, elemento chave da identidade Nacional, se possa desenvolver de forma harmoniosa, contribuindo para o desenvolvimento da qualidade de vida dos habitantes do Casal do Clérigo e de todos os habitantes e munícipes de Cascais.





O quarto elemento essencial para a compreensão daquilo que patrimonialmente é o Casal do Clérigo, é a captação pública de água. Este exemplar, integrado num espaço amplo de características agrícolas, apresenta uma estrutura simples datada de 1915, indiciando a manutenção da importância atribuída à prática agrícola até épocas muito recentes. Muito embora o seu estado de conservação não seja caótica, apresentando ainda quase intactos todos os componentes de origem, esta mãe-de-água do Casal do Clérigo necessita de uma intervenção de requalificação urgente. Os acessos, o estudo e a classificação deste espaço, segundo parâmetros de qualidade e de aproveitamento lúdico-cultural, transformaria, assim um espaço desaproveitado num centro de desenvolvimento urbano, tendo em conta, como é evidente, os interesses de Cascais e dos seus habitantes.

A estrutura de aqueduto que envolve este espaço, bem como os diversos tanques de armazenagem e distribuição da água, fazem deste lugar um espaço único de desenvolvimento pedagógico, servindo de exemplo para ensinar à população escolar das redondezas, a forma eficaz e simples como se desenrolava a vida nesta povoação.

A consolidação do espaço histórico do Casal do Clérigo, e a posterior integração dos dois casais rurais, do saloio e desta captação de água, poderiam servir de incentivo á requalificação global do interior do concelho, tendo em conta a forma caótica como se desenvolveram os bairros clandestinos nas redondezas, e o espaço verde e equipamento cultural de que vão necessitar as futuras gerações de cascalenses nascidos nesses espaços sem qualidade urbana.

A reconsolidação da memória, bem com o despertar da identidade são, foram e serão aspectos essenciais na manutenção ideológica do concelho de Cascais. O Casal do Clérigo, bem como a quase totalidade dos antigos núcleos urbanos deste município, decerto tomará parte na construção do novo concelho de Cascais.

 

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