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O Grupo Dramático e Sportivo de Cascais e o Culto ao Espírito-Santo!

João Aníbal Henriques, 24.10.25
 

por João Aníbal Henriques

Em Maio de 1947, quando Cascais vivia na pujança singela de uma vila que havia recuperado o seu charme idílico ao receber os importantes exilados que procuraram refúgio em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, o Grupo Dramático e Sportivo de Cascais celebrava as festividades do Espírito-Santo com uma grande vitória na modalidade do Hóquei em patins.

A pedido da França e da Bélgica, que procuravam espaços para treinar as suas selecções nacionais com a segurança e o conforto que a muito abalada Europa não conseguia prestar, Cascais recebeu as principais equipas desses países que aqui vieram treinar e jogar.

O Grupo Dramático e Sportivo de Cascais, conhecido pela qualidade dos seus atletas, assumiu-se como anfitrião daquelas importantes equipas europeias e, como penhor de gratidão pela sua hospitalidade, nos dias 25 e 26 desse mês decorreram importantes jogos privados de hóquei em patins entre as ditas selecções e a equipa local de Cascais que visavam agradecer ao dramático todos os cuidados dispensados, oferecendo-lhe dois momentos de grande visibilidade que concorreriam para alicerçar a fama do já então muito relevante clube de Cascais.

Mas a surpresa instalou-se assim que a equipa local, treinada por Gomes, venceu a Bélgica por 3-1, ao que se seguiu nova vitória retumbante contra a França por 2-0…

O povo de Cascais não podia acreditar! A equipa formada por A.S. Machado, M.E.F. Jorge, F.M. Magro, V. da S. Fonseca, A.J. d’Oliveira e A.G.M. dos Reis, todos cascalenses de gema, demonstrou internacionalmente a qualidade do seu jogo e a importância do Grupo Dramático e Sportivo de Cascais na modalidade, afirmando Cascais como grande destino do hóquei em patins a nível mundial e, acima de tudo, reforçando a já muito importante vocação turística municipal.

Recebidos como heróis, os atletas foram agraciados com um jantar comemorativo na sala da velha Petisqueira, situada no final da então Calçada da Assunção, que cruzou a festa comemorativa das vitórias desportivas com o pleito de Fé e devoção pelo Santíssimo Espírito Santo de Cascais, que nesse ano partilhou as honras de Maio com os atletas do Dramático de Cascais!

 

 

Quando a Vila da Parede se Tornou na "Nova Olivença de Cascais"

João Aníbal Henriques, 21.10.25

 

por João Aníbal Henriques

Em 1934 a actual Vila da Parede, no Concelho de Cascais, esteve prestes a mudar de nome. Por iniciativa do Grémio Alentejano e da Comissão de Propaganda de Cascais, apoiados num artigo de jornal publicado com grande alvoroço nessa mesma data, criou-se um movimento de opinião que pretendia renomear aquele lugar com o impactante topónimo “Nova Olivença”!

Esta ideia, contextualizada numa época em que o Estado Novo se estava ainda a afirmar politicamente, procurando grandes causas que contrariassem o vazio provocado pela Primeira República, cruza-se com o desafio que Cascais igualmente atravessava de recuperar o prestígio e a importância estratégica que detinha durante os últimos anos do regime monárquico. E a denominada “Causa de Olivença”, com força e peso político de âmbito nacional, prestava-se a iniciativas ousadas…

O bastião republicano paredense, pujante durante o período que se estende desde a revolução que levou à implantação da república até à revolução nacional de 1928, havia perdido muita da sua força e a capacidade de afirmação no contexto do novo regime ia paulatinamente desaparecendo, deixando vulneráveis as posições dos mais relevantes cidadãos paredenses desses tempos.

No referido artigo publicado nesse mesmo ano, o jornal “Os Novos” advogava que a Causa de Olivença era um desígnio nacional e, como tal, Cascais, com o seu prestígio e visibilidade de nível internacional, poderia contribuir de forma decisiva para a defesa da reintegração da Cidade Alentejana de Olivença no território nacional. Para tal, bastaria alterar o nome do lugar da Parede, passando a designá-lo como “Nova Olivença”.

A causa de Olivença é uma disputa histórica entre Portugal e Espanha sobre a soberania da vila de Olivença, situada junto à fronteira luso-espanhola. Portugal perdeu o território em 1801, após a Guerra das Laranjas, pelo Tratado de Badajoz, mas nunca reconheceu plenamente essa perda, considerando o tratado nulo e invocando o Congresso de Viena (1815), que recomendava a restituição. Embora Espanha administre Olivença desde então, Portugal mantém a reivindicação diplomática, tornando a questão uma causa simbólica de afirmação histórica e territorial.

A Parede, que pouco tempo antes havia sofrido uma outra tentativa de alteração do seu topónimo, nessa altura no contexto da afirmação turística da então Costa do Sol, no âmbito da qual houve quem pretendesse designá-la como “São José do Estoril” (dando continuidade à força visual da marca ‘Estoril’ que começava no Monte Estoril e seguia por Santo António do Estoril, São João do Estoril, São Pedro do Estoril e deveria terminar na referida São José do Estoril), seria assim o fulcro da nova onda de contestação nacionalista que visava colocar a questão de Olivença no contexto da discussão política internacional, recuperando Portugal o controle político daquela localidade.

 

 

O Grémio Alentejano de Lisboa, em conjunto com a Comissão de Propaganda de Cascais, tomaram como boa esta causa e avançaram sem grande sucesso com a pressão junto do Executivo Municipal.

Não tendo despertado interesse por parte de quem governava Cascais, o projecto acabou por cair no esquecimento, mas vale a pena lembrá-lo pela importância que para a compreensão daquilo que foi o território municipal cascalense durante este período conturbado da História de Portugal.

 

 

 
 

O Carnaval de 1939 no Casino Estoril

João Aníbal Henriques, 21.02.25
 
 
por João Aníbal Henriques
 

O Mundo vivia envolvido num clima de profunda tensão em 1939, e a Europa, marcada pela ascensão política de Adolf Hitler e do III Reich alemão, debatia-se com a dúvida relativamente ao que fazer perante aquela absurda e rápida tomada de poder. O clima de incerteza era enorme e no horizonte político de curto prazo sabia-se que era possível iniciar-se uma guerra devastadora com consequências imprevisíveis para o velho continente e para os países que o compunham há muitos séculos.

Mas no Estoril, paraíso resguardado num enclave de paz e serenidade, a vida continuava quase alheada do que estava a acontecer…

No Carnaval de 1939, num Mundo prestes a entrar em guerra, o Casino Estoril anuncia uma animada e extraordinária festa com cunho internacional. Para além dos corsos que se multiplicaram pelas ruas apinhadas de público daquela maravilhosa estância balnear, nos quais participaram artistas de renome internacional e que contou até com um carro decorado pelo próprio Salvador Dali, o canal de televisão americano CBS, com o seu renomado programa conduzido pelo conhecido Ed Sullivan, transmitiu o seu famoso show a partir do Casino Estoril.

A alegria e a elegância dos Estoris, era assim apresentada numa profusão de bailes temáticos em que os participantes entravam vestidos a rigor.

E o Estoril, apresentado como a estância com o inverno mais suave da Europa, era verdadeiramente o paraíso para reis, príncipes e princesas que ali faziam brilhar o charme próprio de quem sabia ser gente muito especial que tinha a sorte de poder estar no mais especial de todos os destinos daquelas Europa em pânico!  

 


 

 

 

Colégio João de Deus e a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional no Casino Estoril

João Aníbal Henriques, 26.12.24

 

por João Aníbal Henriques

No dia 15 de Janeiro de 1938, quando comemorava o seu segundo aniversário, o Colégio João de Deus, no Monte Estoril, organizou um inesquecível Serão Medieval no Casino Estoril com o objectivo de angariar fundos para benefício dos pobres do Concelho de Cascais.

A iniciativa, que teve José Dias Valente e Aníbal Henriques como principais promotores, contou o apoio e participação da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional dirigida superiormente pelo Maestro Pedro de Freitas Branco.

A permanente preocupação que a direcção do Colégio João de Deus sempre teve com a qualidade de vida na região onde se inseria, levou toda a comunidade educativa a desenvolver diversas acções de solidariedade e apoio social das quais este serão medieval foi o primeiro exemplo. Alunos e professores, em parceria com o Casino Estoril e a Estoril Plage, empenharam-se de sobremaneira nestes projectos sempre com o recato e a discrição a que os seus directores obrigavam, por crerem que a beneficência e a ajuda aos outros deveriam ser o mais anónimas possível, defendendo assim a dignidade dos mais necessitados.

O Colégio João de Deus foi inaugurado em Janeiro de 1936 e fechou portas em 1970 deixando um rasto de excelência que perdura nos seus antigos alunos até à actualidade.

 

A Rainha Dona Maria Pia em Cascais no dia 5 de Outubro de 1863

João Aníbal Henriques, 27.09.24

 

por João Aníbal Henriques

O dia 5 de Outubro de 1863 foi de festa em Cascais. Com pompa e circunstância, a baía encheu-se de salvas e vivas para receber a Princesa Dona Maria Pia de Sabóia que chegava nesse dia a Portugal para casar com o Rei Dom Luís I.

A vila, engalanada com as cores da Casa de Bragança, foi assim a primeira terra de Portugal a conhecer a futura rainha, mal sabendo ainda o quão importante ela haveria de ser para afirmar Cascais como a “Vila da Corte”, transformando-a com o seu requinte italiano no mais charmoso de todos os destinos em Portugal.

Em 1863 a então Princesa de Sabóia, com a frescura dos seus 15 anos de idade, chegou a bordo da corveta portuguesa Bartolomeu Dias, comandada por Francisco Soares Franco,  e transmitia a todos os que a rodearam o sentimento de esperança que trazia para o seu casamento real.

 

 

 

Mal sabia que, depois de uma vida de enganos e desenganos com o monarca seu marido, haveria de assistir à terrível morte de um filho e de um neto, sendo ela própria expulsa de Portugal.

Para além deste imenso desgosto, do qual nunca mais recuperou,  a Rainha Dona Maria Pia sofreu em Cascais um dos mais tenebrosos momentos da sua vida. Apesar das crises imensas que afectavam o casamento real, a rainha acompanhou o rei a Cascais quando este, já doente terminal, decidiu que queria morrer a olhar para as muito amadas águas da nossa baía. E não descansou quando, hora após hora, cuidou do seu marido ao longo da longa agonia que este haveria de sofrer na Cidadela Real.

O desgosto e o sofrimento foram tão grandes que depois da morte do rei decidiu que não queria voltar a entrar no Paço de Cascais. Esse espaço que se lhe tinha tornado maldito foi substituído pelo Chalet que havia adquirido no Monte Estoril e que partir desse momento passará a ser o sítio privilegiado para a reunião com os seus familiares e amigos numa espécie de corte secundária sempre que vinha a Cascais acompanhar a Família Real.

 

 

Quando morreu exilada em Itália, Dona Maria Pia pediu para ser sepultada com o rosto virado na direcção de Portugal, o país que apesar de tanto mal lhe ter infligido, era efectivamente a sua casa à qual devotadamente entregava o coração e a alma num gesto de amor que nunca foi reconhecido devidamente em Portugal.

Portugal deve muito a esta rainha e Cascais deve quase tudo o que fez deste lugar um sítio tão especial!

Convite para a Apresentação do Livro "O Outro Cascais" de João Aníbal Henriques

João Aníbal Henriques, 23.10.23
 

CONVITE

A Fundação Cascais, no âmbito do seu 30º Aniversário, com o alto patrocínio da Câmara Municipal de Cascais, vem convidar V. Exa. para a sessão de apresentação do livro "O OUTRO CASCAIS 30 Anos da Sociedade Civil e a Fundação Cascais" da autoria de João Aníbal Henriques que terá lugar no próximo dia 4 de Novembro, pelas 18:00h, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Cascais, na Praça 5 de Outubro 1, 2750-320 Cascais

Apresentado o Livro "Viva Estoril" de João Aníbal Henriques

João Aníbal Henriques, 02.05.23

Apresentação do Livro "Viva Estoril" da autoria de João Aníbal Henriques e com Prefácio de Miguel Pinto Luz. Esta é a história extraordinária de António Simões de Almeida, António Pinto Coelho de Aguiar, António Teixeira Murta, Fernando Fernandes e Maurício Morais Barra que dá forma àquilo que é hoje a região de turismo de Cascais. 

 

 

(Imagens da Câmara Municipal de Cascais)

Apresentação do Livro "Viva Estoril" de João Aníbal Henriques

João Aníbal Henriques, 02.05.23

 

 

Numa iniciativa conjunta da ALA – Academia de Letras e Artes e da Associação de Turismo de Cascais, foi apresentado publicamente o livro “Viva Estoril” da autoria de João Aníbal Henriques e com prefácio de Miguel Pinto Luz. Abordando a história recente do turismo na Costa do Estoril, o livro recupera a história de um grupo de hoteleiros que tomou em mãos a recuperação do sector durante os anos conturbados que se seguiram à revolução de 25 de Abril de 1974 e do PREC. António Simões de Almeida, António Pinto Coelho de Aguiar, Maurício Morais Barra, Fernando Fernandes e António Teixeira Murta, a que mais tarde se juntaram Pedro Garcia, Luís Athayde, António Soares e muitos outros, foram os protagonistas de uma história que mudou radicalmente os destinos da região do Estoril e de Cascais até à actualidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotografias da autoria do Departamento de Comunicação da Câmara Municipal de Cascais e de Josefina Gonçalves

 

 

Convite para a Apresentação do Livro "Viva Estoril - Histórias da História do Turismo no Estoril (1974-1995)" - 28 de Abril - 18h30

João Aníbal Henriques, 19.04.23

 

 

No próximo dia 28 de Abril, às 18h15, no Posto de Turismo de Cascais (ao lado da câmara no antigo edifício dos bombeiros), vou apresentar o meu próximo livro intitulado “Viva Estoril”, com prefácio de Miguel Pinto Luz e chancela da ALA – Academia de Letras e Artes, numa cerimónia para a qual gostaria de vos convidar.

A história que partilho através das páginas deste livro é, porventura, a mais inesperada, surpreendente e extraordinária de todas as que já contei. Sobretudo para mim, que ando há muitas décadas literalmente mergulhado nas memórias vividas deste Cascais que tanto amo.

Foi protagonizada por um grupo de hoteleiros muito marcantes nesta região. António Aguiar, António Simões d’Almeida, Fernando Fernandes, Maurício Barra e António Teixeira Murta, aos quais mais tarde se juntaram Pedro Garcia, Luís Athayde, António Manuel Soares entre outros, literalmente reconverteram o Cascais de então, dando-lhe o carisma que hoje temos!

E a história que dá forma a esta História é de tal forma inesperada, surpreendente e inverosímil que nesta apresentação vamos igualmente entregar formalmente ao Arquivo Histórico Municipal de Cascais toda a documentação completamente inédita que suporta e comprova a total veracidade cada uma das afirmações, descrições, detalhes e relatos que ali faço.

De facto, numa década de 70 fustigada por sucessivas crises internacionais e pela revolução de Abril que praticamente implicou o fim do turismo a nível nacional, Cascais ia soçobrando perante as águas inquinadas das suas praias, pelo desinvestimento nos seus equipamentos e, sobretudo, pela diminuição radical e brusca dos seus fluxos turísticos.

Mas quando tudo parecia perdido, este grupo de jovens hoteleiros não baixou os braços e, perante um desafio imenso, enfrentou tudo e todos, provando que com vontade, determinação, foco e muita coragem, é possível inverter os cenários mais negros, reconstruindo toda a região e construindo o Cascais pujante e pleno de futuro onde hoje temos a sorte de poder viver.

Parece quase incrível que as maiores infraestruturas turísticas que hoje dão forma à nossa região tenham nascido da tenacidade empreendedora destes jovens. Mas foi exactamente assim que aconteceu. A marina, a ciclovia, o centro de congressos, a escola de hotelaria, o clube de ténis, as piscinas oceânicas, a autoestrada, o parque natural, o saneamento, etc. são apenas alguns dos feitos que nasceram dos feitos deles. Para não falar do windsurf no Guincho, do Grande Prémio do Estoril em F1, da criação da Fundação Cascais, do projecto de recuperação da cidadela e de muitos outros sonhos que eles tiveram o ensejo de concretizar e que hoje todos nós vivemos.

Fizeram-no afrontando os maiores poderes de então e conseguindo que a Concessão de Jogo do Casino Estoril voltasse a ser a mais relevante de todas as peças que dão forma à promoção da região.

Esta é uma História que me surpreendeu. Basicamente porque é surpreendente! E, também por isso, é para mim uma enorme honra esta oportunidade que tive de poder contribuir para a eternizar junto da memória dos Cascalenses. Porque é justo que assim seja. Porque é uma lição que fica perante os desafios também imensos que surgem agora no horizonte das vidas dos meus filhos e das gerações que se seguirão à deles.

Conto convosco no próximo dia 28 de Abril. Porque Cascais é mesmo o recanto mais extraordinário de Portugal!

João Aníbal Henriques

Versão em PDF do Livro "Viva Estoril": AQUI

 

 

 

 

 

Fortaleza de Nossa Senhora da Luz em Cascais

João Aníbal Henriques, 21.06.21
A Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e a Torre de Santo António, em Cascais, reabriram ao público no passado dia 13 de Junho para visitação. O monumento, porventura o mais antigo e importante marco da História de Cascais, está na posse do Estado central encontrando-se fechado desde meados da década de 80 do século passado e num estado galopante de degradação. Com esta abertura simbólica ao público, a Câmara Municipal de Cascais permitiu que um grupo de Cascalenses pudesse conhecer e visitar o espaço, através de uma animação histórica protagonizada pela arqueóloga Vera Cardoso.